VIDAS PARTIDAS Filme que aborda violência contra mulher é exibido na Assembleia Legislativa

VIDAS PARTIDAS Filme que aborda violência contra mulher é exibido na Assembleia Legislativa

O filme relata a vida de um casal comum, com duas filhas, em que a mulher tem uma vida profissional bem-sucedida, o que gera um conflito para o marido, um professor universitário.

“É um assunto difícil de falar e a gente pode usar a arte para que as pessoas, por meio da ficção, possam ter mais informações”, disse Naura Schneider, à imprensa, antes da exibição do filme Vidas Partidas, do qual ela é protagonista, junto com o ator Domingos Montagner (já falecido). O longa metragem foi apresentado na tarde desta sexta-feira, no plenário Noêmia Bastos Amazonas, da Assembleia Legislativa de Roraima, que esteve lotado. A exibição faz parte da programação da Semana da Mulher, desenvolvida pelo Poder Legislativo.


Naura, que conhece a realidade da violência doméstica e familiar também em outros países, afirmou que a legislação brasileira no assunto é avançada. Para ela, “é bom que os jovens e adolescentes tenham esse conhecimento e esclarecimento sobre o tema para que tenhamos uma nova geração”.


O filme, que aborda a triste realidade de quando a mulher sofre violência doméstica e familiar, foi lançado em agosto de 2016, mês que a Lei Maria da Penha completou dez anos de implantação.


O filme relata a vida de um casal comum, com duas filhas, em que a mulher tem uma vida profissional bem-sucedida, o que gera um conflito para o marido, um professor universitário. Ela passa por diversas situações de violência, tenta sair de casa, mas como a Lei Maria da Penha, no tempo em que a história é retratada, ainda não existia, ela é orientada a voltar para casa para não correr o risco de perder a guarda das filhas. 


A deputada Lenir Rodrigues, coordenadora do Chame (Centro Humanitário de Apoio à Mulher), ressaltou que “a violência doméstica e familiar e todas as formas de violência contra mulheres, ainda é um tema que precisa ser debatido sempre, porque de alguma forma atinge ou já atingiu uma mulher”. Ela lembrou que a violência pode ser física, psicológica, sexual, moral, patrimonial e econômica. “E é necessário estar atento sobre isso”, ressaltou.


A discussão sobre o assunto com base na exibição do filme Vidas Partidas, para a deputada, é uma forma dinâmica de tratar sobre o tema, inclusive preventivamente, para que os jovens e adolescentes de hoje se respeitem mutuamente.


Vítima de violência doméstica e familiar por 24 anos, a aposentada Delcimar da Gama assistiu ao filme Vidas Partidas e declarou: “a mulher precisa estar bem informada sobre seus direitos. Chega de tanta violência”. Delcimar contou que o ex-marido não a deixava trabalhar e nem estudar. “Eu tinha que ficar em casa cuidando dos filhos e dele. Sofria calada, apanhava e não dizia para ninguém”, relatou. Segundo ela, a mãe chegou a chamar a polícia para resolver a situação de sofrimento da filha, mas quando as autoridades policiais chegavam em sua casa, ela dizia que havia caído e por isso estava machucada.


Questionada sobre como decidiu mudar a situação, Delcimar disse que cansou da violência e resolveu se separar. “As mulheres precisam se despertar sobre isso”, disse.


Estudantes – A acadêmica de Serviço Social Cheila Marques veio assistir o filme, por considerar um tema importante para a profissão que vai exercer. “Um filme como esse é muito bom para que todos conheçam a real situação da sociedade. Muitas mulheres denunciam hoje em dia, mas há ainda aquelas que têm medo de perder o marido supridor”, destacou.


Na exibição do longa-metragem estiveram ainda estudantes do ensino médio, como o casal de namorados Alcione Costa, 17, e Breno Calixto, 19, que estava entre os estudantes que participaram da programação. Eles destacaram a importância de denunciar quando souber que uma mulher está sofrendo violência. “Se eu perceber, denuncio mesmo”, disse Breno. Para Alcione, a realidade da violência doméstica pode ser observada por todos.


Debate - Após a exibição do filme, os convidados, juntamente com a atriz Naura Schneider e autoridades locais participaram de um debate sobre o tema. O vereador Renato Queiroz afirmou que antes de assistir ao filme questionava sobre como saber os sinais de um homem agressor, mas que agora, entende que é possível identificar. “Esse perfil de homem ao qual o filme retrata nos envergonha. Não acredito na vitimização do homem”, disse.


O filme Vidas Partidas, dirigido por Marcos Schectman e que tem também como protagonista Domingos Montagner (já falecido) faz parte de um trabalho que Laura realizou a alguns anos, pesquisando, entrevistando, inclusive com a produção do documentário “Silêncio das Inocentes”, premiado como o melhor da América Latina, em que ela conta a história de várias mulheres.


A exibição do longa-metragem em Roraima foi promovida pela Assembleia Legislativa e o Partido Socialista Brasileiro (PSB), sob a organização do Cine ALE Cidadania e da Escolegis (Escola do Legislativo).

Por Shirleide Vasconcelos
SupCom/ALE-RR

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