A equipe psicossocial do Centro Humanitário de Apoio à Mulher (Chame), da Assembleia Legislativa de Roraima, realizou nesta sexta-feira, 09, o primeiro contato com os dependentes químicos que são cuidados pelo Centro Evangelístico Internacional, que desenvolve o projeto Impacto há um ano, que tem como finalidade ajudar essas pessoas a saírem do submundo das drogadição e do álcool. No local existem 32 pessoas, sendo quatro mulheres. São jovens e adultos de 19 a 54 anos.

A assistente social do Chame, Lielma Tavares, explicou que a parceria vai ao encontro das atribuições do Chame. “Sabemos da deficiência que existe no Estado de centros que recebam e que deem apoio social a essas pessoas. Sabemos também a importância desse trabalho, porque um dos eixos do Chame é trabalhar a prevenção, pois é sabido que a maioria do índice de violência doméstica aqui no Estado é causada por droga e álcool. A parceria fortalecerá os laços com outras instituições, pois vamos divulgar esse trabalho que vive de doações”, disse.

A equipe pretende nessa parceria ministrar palestras, fazer atendimentos individuais, além de atender os familiares. “Vamos fazer o psicossocial com as famílias, pois é importante apoiá-las. Hoje, nesse primeiro contato, viemos conhecer o projeto e ouvi-los para que digam quais são seus anseios nessa parceria, porque a deputada Lenir Rodrigues (PPS) não mede esforços para ajudar as famílias criando políticas públicas, e o nosso foco não é só a mulher, mas as famílias”, reforçou Lielma.

Essa é a primeira parceria que o Centro Evangelístico faz, conforme disse o pastor Junior Campos, que coordena a entidade. “A proposta do Chame se encaixa no trabalho desenvolvido pelo Centro. Hoje, com esse primeiro encontro, acreditamos que as coisas vão acontecer de forma bem positiva. Nosso primeiro passo foi trazer o profissional psicossocial para tratar essa área da dependência química. O próximo passo é trazer cursos profissionalizantes, para ele se reinsira na sociedade e saiba que tem algo a perder. Queremos também tratar a família, que está desacreditada, pois ela é muito importante, fundamental nesse processo”, comentou.

O jovem William Oliveira da Silva, 26 anos, começou a usar droga aos 11 anos por influência das más companhias. O resultado é uma aparência envelhecida de anos de mutilação ao organismo, várias tentativas de suicídio e anos de cadeia, uma vez que a dependência química o levou a praticar crimes mais pesados. “Há dois meses me vi em um labirinto sem saída, perdido no mundo das drogas. Graças a Deus e ao pastor desta casa que abriram seus abraços e me aceitaram. Eu estava em uma situação crítica. A droga é uma doença, está alastrada no Estado, há crianças usando drogas. Mães, não larguem seus filhos!”, disse.

Essa é a 15ª vez que William Oliveira busca uma recuperação. Há dois meses no projeto, ele está confiante que as drogas na vida dele são coisas do passado. “Hoje me sinto uma pessoa transformada e liberta. Peço que as mães que têm filhos usuários de droga que não percam a esperança de seus filhos, e que a sociedade nos enxergue de maneira diferente, nos dê uma oportunidade”, disse.

O jovem Fábio Brito, 31 anos, chegou há uma semana no Centro. Durante 15 anos ele experimentou todos os tipos de substâncias químicas alucinógenas. “Busquei ajuda porque estava no fundo do poço, perdi meus amigos, emprego e estava perdendo minha família, vendendo as coisas de casa, então percebi que estava precisando de ajuda, afinal eu não estava sendo mais eu”, contou, ao salientar que começou a usar drogas na escola, através das amizades.

Oriundo de uma família com poucos recursos, Fábio Brito disse que como não tinha dinheiro para manter o vício, se permitiu ser usado como ‘avião’ (pessoa que vai a boca de fumo comprar a droga para revender a outros usuários). “Gente da alta sociedade me usava como avião. Eu fazia até o cigarro para eles não sujarem o dedo. Tanto eu era usado quanto usava droga. Agora espero recuperar o que perdi, como o meu emprego, ser exemplo para outras pessoas, mudar a minha vida, mostrar para a família e amigos que sou uma nova pessoa. Quero verdadeiramente mudar, ser mais espiritualizada, resgatar aquele Fabinho do início de tudo, sonhador”, afirmou.

Ela tem 22 anos, três filhos que está sob os cuidados da mãe, e está na casa se recuperando há quatro meses. Alane Nunes da Silva se emocionou durante a entrevista, ao contar que há dois anos experimentou a pasta base de cocaína depois do fim de um relacionamento amoroso. “Passei a usar drogas junto com uma amiga depois que ele foi embora, ao me sentir desprezada. Mas há quatro meses estou livre das drogas e só espero libertação. Hoje me considero uma ex-viciada”, garantiu.

Por Marilena Freitas

SupCom/ALE-RR