“É muito importante para nós, alunos, vermos que tráfico de pessoas possa ocorrer com mais pessoas da nossa idade”, revelou a estudante do 3º ano do ensino médio, Iohanna Felinto, da escola estadual Jesus Nazareno de Souza Cruz, localizada no bairro Caranã, zona Oeste de Boa Vista.

A unidade de ensino recebeu a sexta edição do projeto ‘Educar é Prevenir’, da Procuradoria Especial da Mulher, por intermédio do Núcleo de Proteção, Promoção e Atendimento às Vítimas de Tráfico de Pessoas, da Assembleia Legislativa de Roraima (ALERR), que encerrou na tarde desta quarta-feira (11) com uma roda de conversa entre alunos e representantes da Rede de Proteção e Enfrentamento.

Para Iohanna, participar deste projeto ampliou o olhar mais cauteloso consigo mesma e com as pessoas ao redor. “Vai nos ajudar muito porque é uma coisa que pode acontecer com qualquer um a qualquer hora”, contou a estudante.

A gestora da escola, Isane de Fátima Soares, afirmou que a proposta após a passagem do projeto é ampliar o público alvo, dessa vez envolvendo a família dos discentes na discussão, por meio de reunião e capacitação. Mesmo antes do fim do encontro, disse que na terça e na manhã dessa quarta, pais chegaram a procurar a instituição para falar sobre o assunto. “O filho fez comentários em casa e explicamos como funciona [o projeto] e tivemos pais que falaram sobre a preocupação de um filho sair da escola num período X e não chegar em casa na hora. ‘Mas será que isso pode estar acontecendo?’”, revelou.

Entre os representantes da Rede de Proteção, estava a titular da Delegacia da Mulher, Maria Aparecida Fernandes Tavares, que acredita na relevância do projeto, principalmente no âmbito da prevenção. “Sabemos que nossa população infanto-juvenil tem mais convívio com seus educadores. Às vezes elas se sentem mais à vontade com o educador do que com os próprios pais, pelo fato que tudo para meu pai é reprovável”, contou a autoridade.

Com a prevenção trabalhada dentro da escola, afirmou a delegada, os jovens sairão mais fortalecidos e mais informados. “É melhor termos jovens sadios, digo mentalmente, com perseverança, com determinação, do que termos famílias sofrendo e precisando de ajuda para superar problemas de dependência química, de evasão domiciliar porque esse mundo, o tráfico, ele só tem um caminho, o de distanciar você da sua família e daqueles que realmente gostam”, explicou Maria Aparecida.

A próxima unidade a receber o projeto é o Colégio Militar Doutor Luiz Rittler Brito de Lucena, a partir de segunda-feira (16), com a entrega de todo material didático do Núcleo, como as caixas-jaulas, banners, flayers, entre outros. A coordenadora do ‘Educar é Prevenir’, Elizabeth Brito, avaliou como positiva a passagem pela escola Jesus Nazareno. “Cerca de 90% da comunidade escolar participou e nos agradeceu, falaram o quanto era novidade em falar sobre o tráfico de pessoas, que as pessoas não acreditam que existem, ficaram tocados e que o projeto era maravilhoso”, enfatizou.

Yasmin Guedes